A série Skate da Electronic Arts está de volta, 15 anos após o terceiro jogo de uma propriedade que foi altamente elogiada pelos adeptos da modalidade. Com o nome skate., o novo jogo da produtora Full Circle chega como um título gratuito, apoiado por micro-transações, que parece tentar criar uma espécie de Fortnite de skate.

Após um longo período em produção com o apoio da comunidade, a produtora apresenta agora a experiência a todos os jogadores interessados, que vão descobrir uma significativa evolução da fórmula vista na trilogia original. Uma enorme cidade aberta, com vários parques, imensos desafios, recompensas cosméticas e a nítida sensação que o objetivo é criar uma comunidade viva centrada no skate.

Nas semanas que antecederam o lançamento em acesso antecipado, tivemos a oportunidade de escutar a Full Circle a falar dos seus objetivos para este skate., sendo particularmente empolgante perceber que, ao jogar, todos eles estão bem perceptíveis e evidenciados ao longo das primeiras horas de jogo. Mesmo que o teste do tempo e da capacidade do jogo para te agarrar ao longo de meses seja o real desafio, o primeiro contacto é muito animador. A experiência desperta interesse, mesmo para meros curiosos sem particular experiência na vida real, mas que cresceram com os jogos Tony Hawk e Skate.

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Positivamente acessível e divertido

skate. coloca-te em San Vansterdam, uma cidade com várias partes que fazem pensar em Vancouver, o local principal da Full Circle, mas claramente pensada como um recreio skate capaz de fascinar jogadores em todo o mundo, de todo o tipo de habilidade ou conhecimento sobre a prática na vida real.

Nesta versão inicial de lançamento antecipado, skate. é um jogo competente que se destaca pelos controlos e jogabilidade, com um elevado grau de acessibilidade que eleva o fator diversão. Após uma introdução aos controlos e ao tom deste skate, a Full Circle coloca-te num dos quatro distritos de San Vansterdam com grande liberdade de exploração.

Existem vários desafios espalhados pelo distrito, através dos quais vais obter pontos para subir o nível do personagem e do distrito. Isto permite obter mais cosméticos nas caixas aleatórias e apesar da possibilidade de comprar cosméticos com dinheiro real, podes ganhar moeda digital através da jogabilidade. Nesta fase inicial, não senti que estou a perder por não investir dinheiro real.

O foco nesta fase inicial está claramente na liberdade da experiência e em destacar os controlos. A Full Circle quer claramente conquistar rapidamente o jogador para que nem pense que está num jogo gratuito, mas sim num jogo divertido. Este skate não é um jogo complicado de jogar, pelo contrário, rapidamente aprendes os controlos, a executar acrobacias e movimentos, como te movimentar com agilidade pela cidade e a tirar proveito da jogabilidade dinâmica.

Como seria de prever, executar movimentos em cadência para aumentar a pontuação é parte fundamental da experiência de jogo, o que inclui subir rampas para agarrar a prancha e rodar no ar, deslizar por corrimões, apanhar itens em sucessão e acima de tudo sentir que estás num enorme recreio skate cuja exigência vai crescendo com as horas de jogo e de acordo com os teus feitos no jogo.

Skate é um jogo gratuito que não te está constantemente a sugerir que devias gastar dinheiro, é uma experiência que está constantemente a fazer de tudo para que sintas diversão. Senti que grande parte disso está na acessibilidade dos controlos, no uso do analógico direito para as acrobacias, e na facilidade em executar grinds e flips. No entanto, enverga profundidade para os mais experienciados no skate real possam expressar toda a sua arte no mundo digital.

Nesta fase inicial do jogo, foi precisamente descobrir que facilmente consigo sentir diversão que me fez gostar mais de skate do que esperaria. Especialmente porque os os controlos em si não estão desenhados para te fazer sentir que não percebes nada disto, tal como a jogabilidade, estão desenhados para te fazer sentir que te podes divertir e aprender mais com o passar das horas, com o teu investimento.

Apanhar um item durante o desafio, descer a rampa para executar um salto que inicia um grind num banco para sair com um flip e saltar por umas escadas enquanto agarro a prancha e rodo no ar é super simples e divertido. Fácil de executar para todo o tipo de jogadores. Os próximos distritos aumentam a exigência sobre o domínio dos controlos, mas é nítido que a Full Circle não sacrificou a diversão em busca de profundidade, um equilíbrio muito difícil de conseguir.

Componentes gráfica e sonora deixam a desejar

Apesar das minhas primeiras horas em skate me motivarem a elogiar os controlos e a jogabilidade, sinto que não posso dizer o mesmo da qualidade gráfica e do som. Skate é um jogo com uma estética que escapa à perseguição do realismo e até se aproxima do tom cartoon, algo que consegue satisfazer, mas a preocupação inicial não está na estética escolhida, mas sim na qualidade gráfica.

É difícil jogar skate numa consola como a PS5 Pro e sentir que estamos num jogo à sua altura. Mesmo sendo um jogo cross-gen e gratuito, que deve ser capaz de correr em equipamento mais acessível para maximizar a capacidade de criar interesse nos jogadores, a Full Circle tem imenso trabalho pela frente. Desde a qualidade dos cenários, ambientes vazios e desprovidos de vida, problemas como pop-in ou até melhorias nas animações, espero que seja uma das áreas de foco para o futuro.

De igual forma, o som deixa imenso a desejar e nem falo da banda sonora, que precisa urgentemente de mais energia, mas sim dos sons do jogo. Desde os passos aos sons emitidos pelas personagens, a Full Circle precisa mesmo de melhorar esta componente.

skate. na PS5 Pro Ver no Youtube

O início de uma promissora nova era

Numa era pós-Fortnite, é quase impossível não sentir que a Electronic Arts e a Full Circle estão a tentar criar um enorme recreio virtual de skate para uma audiência cada vez mais diversificada. Este arranque do novo jogo mostra que é uma experiência amigável para novatos ou meros curiosos, com potencial para agradar a veteranos, mas também deixa a sensação que ainda existe muito para fazer. No entanto, a sensação que deixa é promissora.