Pokémon Legends: Z-A conquista com a sua narrativa simples, mas repleta de mistérios, design de mundo aberto e fácil gestão de Pokémon, mas é o dinamismo do novo combate em tempo real que me manteve a jogar muito após os créditos passarem. É um jogo muito divertido e fácil de jogar, que peca pela qualidade gráfica.

Pokémon Legends: Z-A é a mais recente ramificação da Game Freak e provavelmente vai figurar como uma das mais importantes. Entre remakes de clássicos e a transição para mundo aberto na série principal, a produtora japonesa também tem experimentado conceitos e mecânicas diferentes na sub-série Legends, que promete figurar como algo próprio e capaz de conquistar com o seu charme próprio.

Com 5 jogos lançados em 6 anos, diversificar as experiências é basicamente essencial para tentar adiar ao máximo a sensação de cansaço entre a audiência, mas enquanto esperamos pelo grande título que trará a 10ª geração da série, a proposta é Pokémon Legends: Z-A, um jogo de combate em tempo real, com um pequeno mundo aberto, desenhado para uma experiência simples de jogar, mas com elevado ritmo e dinamismo.

Pokémon Legends: Z-A não é propriamente uma revolução na série, mas a transição no sistema de combate vai certamente dar que falar e poderá figurar como um momento marcante no trajeto desta franquia, que continua a enfrentar o dilema de se posicionar como série para crianças que milhões de adultos adoram jogar.

Aventuras juvenis em Lumiose

Ao longo dos anos, a Game Freak começou a envelhecer um pouco os protagonistas dos seus jogos Pokémon, o que pode ser encarado como uma tentativa de ir ao encontro do envelhecimento dos seus principais fãs, mas sem os envelhecer muito pois ainda é um jogo posicionado principalmente para os mais novos. Legends: Z-A evidencia bem isso com o seu enredo juvenil que vai conquistar os veteranos com as suas íntimas ligações a X & Y. Não vou falar disso, mas quando o enredo “aquece”, a coisa fica mesmo interessante. No entanto, não esperes nada de muito complicado.

À semelhança de outras propostas no entretenimento popular, como Stranger Things, por exemplo, Pokémon continua a apostar na temática de crianças ou adolescentes a viver aventuras inimagináveis e quase impossíveis. Aquele tom de adolescentes a compreender os mistérios do mundo de uma forma que os adultos, tão cínicos e perdidos no stress diário, não conseguem.

A simplicidade da narrativa é propositada e basta pensar no início do jogo, na tua chegada à cidade de Lumiose. O protagonista chega como turista, mas rapidamente mergulha numa aventura ao conhecer o seu rival, tropeçar no torneio Z-A e descobrir que há um mistério nas sombras da luminosa cidade de Kalos. Vais passar muitas horas até perceber o que se passa, conhecer caricatas personagens, tudo abordado de forma muito simples, sem aprofundar em demasiada para que uma grande parte do público principal possa acompanhar sem grandes dificuldades.

Tornou-se inesperado jogar Pokémon Legends: Z-A e começar a encontrar imensos paralelismos com a série Yakuza da Ryu Ga Gotoku, ao ponto de pensar que foram inspiração para a Game Freak, seja no design do mundo e da sua escala ou na abordagem à narrativa, relacionamento entre personagens e até missões secundárias. É um forte foco na amizade, traçado ao longo de vários confrontos Pokémon onde não há propriamente certo e errado, apenas perspectivas diferentes de como alcançar o melhor resultado para a cidade. A dada altura parecia que estava a jogar um “Yakuza for kids” e apenas aumentou o meu gosto pelo jogo.

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Wild Zones e combates em tempo real

A maioria do meu gosto por Pokémon Legends: Z-A está precisamente nos combates, onde vamos passar tanto tempo. Ao transitar para confrontos em tempo real, a Game Freak torna Pokémon Legends: Z-A numa experiência muito dinâmica e fácil de jogar, mais uma vez, nota-se claramente que não há qualquer intenção de complicar a experiência, mesmo que muitos adultos fiquem de nariz encorrilhado. Não estou a desculpar ou a justificar, apenas a escrever a minha interpretação da abordagem e o porquê de sentir que a Game Freak claramente não quer complicar Pokémon, especialmente porque seria tão fácil fazê-lo.

Lumiose é uma cidade na qual Pokémon e humanos vivem em harmonia, mas muitos Pokémon selvagens foram atraídos misteriosamente para a cidade, o que motivou a criação de tecnologia que os isola em pequenas Zonas Selvagens. A cidade em si é relativamente pequena (em corrida, demorei 2:08 minutos de uma ponta à outra de Lumiose), com inúmeros pontos de viagem rápida que tornam tudo muito dinâmico, pois vais andar constantemente a saltar de Zona Selvagem para Centro Pokémon (para curar) enquanto tentas capturar novas criaturas para melhorar a tua equipa.

Isso é feito através do novo sistema em tempo real, no qual escolhes um Pokémon com o d-pad e ordenas um ataque com os botões frontais do comando. Tens de colocar a mira no alvo e a partir daí ordenas os ataques em tempo real, enquanto movimentas o teu personagem à espera que o tempo de arrefecimento de um golpe passe para o voltar a usar. No entanto, os Pokémon selvagens também te atacam e seja aqui ou numa Rogue Mega Evolução (as raids em Z-A), tens de te esquivar constantemente, o que é muito importante.

O teu personagem pode desmaiar com o dano e és enviado para um Centro Pokémon, por isso tens de ter cuidado, mas esquivar de um golpe ou fugir da zona de combate também significa que o teu Pokémon te segue, o que pode ajudar a esquivar-se de um ataque. É um sistema muito simples de aprender e usar, altamente dinâmico e que se aproxima de muitas referências atuais, como Final Fantasy 7 Remake, por exemplo, que simplesmente adoro.

Com a ajuda de uma interface simples, que te informa de imediato se o Pokémon pode evoluir e te permite facilmente trocar de ataques, Pokémon Legends: Z-A foca-se na diversão e simplifica todos os processos para maximizar o potencial de se tornar divertido. Além das batalhas contra criaturas Mega Evoluídas e da mecânica de Mega Evoluir os teus Pokémon a meio das lutas em tempo real (se tiveres a pedra necessária para esse Pokémon em específico) foi a simplicidade da gestão dos Pokémon que me ajudou a manter-me mais interessado. No entanto, tem profundidade pois tens de criar equipas capazes de responder aos Pokémon dos adversários principais para seguir na história e tens de lidar com mecânicas como tempo de espera para usar itens.

O combate em tempo real de #pokemonlegendsZA transforma a série! #nintendoswitch2 #pokemon #switch Ver no Youtube

Noites quentes com o Z-A Royale

Durante o dia, passeias pela cidade, descobres mais da cidade e dos seus habitantes nas missões secundárias, combates nas Wild Zones para melhorar os teus Pokémon e capturar mais, mas à noite Lumiose ganha uma nova vida, com o torneio Z-A, que está intimamente ligado à narrativa central, mesmo que seja de uma forma muito juvenil. Quando cai a noite, é ativada uma zona Z-A Royale em Lumiose para a qual podes viajar rapidamente de imediato, para enfrentar treinadores e ganhar pontos do torneio.

Se conseguires pontos suficientes (se não os conseguires todos numa noite tens de esperar pela próxima) ganhas um bilhete que te permite desafiar um adversário específico e subir de rank. É nas zonas Z-A Royale que ganhas mais XP e dinheiro nos combates, por isso merecem todo o nosso tempo e atenção. Enquanto parte da experiência singleplayer de Pokémon Legends: Z-A, esse é o seu principal atrativo, mais até do que a sua obrigatoriedade para o progresso narrativo, mas é fácil ver que há aqui potencial para um interessante futuro multiplayer, mas isso só saberemos após o lançamento do jogo.

Uma cidade desenhada para incentivar o caminhar, a recolher itens perdidos ou Pokébolas, as conversas com os NPCs, a entrada em Wild Zones e o torneio noturno Z-A Royale, sem esquecer as simples e básicas missões secundárias, mas com boas recompensas, com imensos momentos cómicos e tontos, ajudaram Pokémon Legends: Z-A a conquistar um carisma que me fez pensar constantemente em jogos Yakuza e Judgment da Ryu Ga Gotoku, essa tal sensação de “Yakuza for Kids”, o que me ajudou a gostar muito mais do que imaginava, especialmente devido ao cansaço por mundos abertos e à necessidade de diversificar as experiências na indústria.

Um olhar mais detalhado sobre Pokémon Legends: Z-A (Nintendo Switch 2/Nintendo Switch) Ver no Youtube

Componente gráfica que deixa a desejar

Apesar de sentir que gosto de Pokémon Legends: Z-A muito mais do que imaginaria, é impossível não sentir alguma desilusão com três aspectos desta experiência da Game Freak: a ausência de áudio nas falas dos personagens, localização para Português e a qualidade gráfica. A ausência de interface e legendas em Português vai afectar diferentes pessoas com diferente intensidade, mas a ausência de falas nas cutscenes e cenas de história tira-lhes muito do impacto dramático, o que é pena de ver em 2025.

Ver personagens com qualidade gráfica que parecem saídas de um anime sem voz a acompanhar fica estranho, mas é a qualidade gráfica geral dos cenários que mais desilude. A versão Nintendo Switch 2 corre a 60fps com resoluções muito superiores às que tens na Switch, para imagens muito mais nítidas, mas as melhorias na nova geração não são particularmente evidentes em termos gráficos.

É frequente ver cenários aceitáveis para uma máquina de 2017, mas não numa de 2025 e a Game Freak devia ter feito muito mais. Zonas com um aspecto “achatado” devido ao uso de simples texturas sem profundidade, geometria básica e outros elementos menos trabalhos não são algo belo de ver. Por mais que a estética colorida e simplificada ajude a criar charme, é frequente sentir que Pokémon Legends: Z-A não é um jogo bonito de ver, para numa cena seguinte até surpreender, especialmente nos interiores.

Conclusão

Quando o jogo marcou pouco mais de 29 horas de jogo, começaram a correr os créditos finais de Pokémon Legends: Z-A e a sensação que ficou é a de um jogo muito simples, mas divertido, que acerta em praticamente tudo o que tinha de acertar para resultar. A narrativa simples e juvenil com conexões a X & Y, os combates em tempo real, a fácil gestão de Pokémon e Mega Evoluções, a escala e design do mundo aberto, tudo equilibrado para conquistar quem procura um RPG fácil de consumir e se divertir quase instantaneamente.

A nível pessoal, talvez tenha ajudado imenso que Pokémon Legends: Z-A se aproxime tanto de jogos como Yakuza Zero e outros da Ryu Ga Gotoku em termos de escala e abordagem ao design, tens um grande espaço aberto, mas fácil de percorrer, que não cansa. Para quem está cansado de enormes mundos abertos e não se importa com um Pokémon experimental, que escapa à tradição dos ginásios, Legends: Z-A poderá ser refrescante.

Prós:Contras:
  • Sistema de combate em tempo real
  • Qualidade gráfica dos Pokémon e humanos principais
  • Narrativa relacionada com X & Y
  • Interface que permite fácil e rápida gestão dos Pokémon
  • As novas Rogue Mega Evoluções (Raids)
  • Mundo aberto de boa escala que não cansa
  • Os 60fps na Nintendo Switch 2
  • Qualidade gráfica dos cenários
  • Ausência de vozes nas cutscenes de história
  • Sem legendas em Português