F1 25 é uma continuação sólida da série, com melhorias pontuais na física, comportamento dos carros e modos de jogo. Apesar disto muitas das mudanças são subtis para quem vem de F1 24, o que coloca em questão a utilidade de um novo lançamento anual.

A série F1 da EA Sports tem sido, ao longo dos anos, o principal benchmark dentro da simulação de corridas de Fórmula 1, com lançamentos anuais que seguem de perto a evolução do campeonato mundial. Desde que a EA assumiu o comando, tem havido um esforço para integrar mais elementos relacionados com a sensação de realismo, acessibilidade e proximidade com este desporto motorizado. F1 21 introduziu a narrativa cinematográfica com o modo Braking Point, F1 22 apostou numa maior personalização e lifestyle, enquanto F1 23 melhorou a física e a condução dos carros, e F1 24 tentou ser mais “amigo” dos jogadores de comando, na busca de um equilíbrio entre arcade e simulação.

Com F1 25, o estúdio procura reforçar esta direção, respondendo ao mesmo tempo às críticas feitas à versão anterior, nomeadamente no que diz respeito à física do jogo, considerada demasiado orientada para quem joga com um comando. Este novo capítulo apresenta uma sensação de condução, melhorias no modo carreira e uma maior integração com a época real de 2025. Sendo o primeiro título totalmente produzido com o motor da EA no ciclo pós-Braking Point 2, F1 25 tenta não ser apenas uma atualização anual, mas uma remodelação da base técnica.

Regresso de Braking Point

O modo narrativo Braking Point regressa em F1 25 com o seu terceiro capítulo, depois de ter sido introduzido em F1 2021 e retomado em F1 23. Intitulado Braking Point 3, leva os jogadores pelas temporadas de 2024 e 2025, centrando-se na equipa fictícia Konnersport, agora sob nova liderança. A narrativa apresenta múltiplas perspetivas, permitindo aos jogadores escolher entre diferentes protagonistas, como Aiden Jackson e Callie Mayer, influenciando assim o desenrolar da história e os objetivos definidos para cada corrida.

Braking Point é uma continuação direta dos acontecimentos deixados em suspenso em F1 23, retoma a narrativa com novos desenvolvimentos e personagens. Embora mantenha muitas das mecânicas já conhecidas, como os objectivos por corrida e os diálogos interactivos, esta nova edição introduz também algumas novidades, nomeadamente uma maior variedade de perspectivas narrativas e um tratamento mais cinematográfico das cutscenes. Pessoalmente, nunca fui um grande fã deste modo e continuo a não o considerar um dos pontos fortes do jogo. Reconheço o seu valor como conteúdo adicional que enriquece o jogo para quem está à procura de algo mais do que as corridas tradicionais, e que certamente agradará a muitos jogadores que valorizam uma componente narrativa no universo da Fórmula 1.

F1 25 gameplay PS5 Pro 60fps QUALITY Mode Ver no Youtube

Novidades e Melhorias nos Modos de Jogo

F1 25 traz algumas novidades que, embora não revolucionem a fórmula, mostram a tentativa da EA de afinar certos aspectos do jogo. O modo My Team foi ligeiramente reforçado, agora com uma gestão mais detalhada dos pilotos e da dinâmica interna da equipa, mas continua a parecer um modo com potencial inexplorado, com o mesmo esqueleto dos anos anteriores. A física foi revista, especialmente no que diz respeito aos pneus, ao mesmo tempo que se nota que a condução é um pouco mais exigente, algo que é bom para quem está à procura de algo mais próximo da simulação. Mesmo assim, é uma evolução ponderada que provavelmente só será sentida por aqueles que jogam com um volante ou em níveis de dificuldade mais elevados.

Foram também adicionados layouts invertidos para alguns circuitos, como Silverstone ou Zandvoort, algo curioso, mas que soa mais a conteúdo experimental. O novo modo Challenge Career tenta dar alguma vida ao single-player com objectivos curtos e desafios pontuais, mas não substitui a falta de algo realmente novo no design geral. Visualmente, o jogo continua a ser sólido, com melhorias aqui e ali, especialmente nas pistas, graças à utilização da tecnologia LiDAR, mas não se trata de um salto gráfico óbvio em relação ao ano passado. Tudo somado, F1 25 parece mais um ajuste do que uma mudança de direção, o que não é necessariamente uma coisa má, mas para aqueles que esperam algo impressionante, pode não ser suficiente.

Afinação da Física e Sensações de Condução

É possível ver que foi feito algum trabalho de afinação no comportamento dos carros em pista. Agora há menos aderência quando se pisa a relva ou a gravilha, os corretores causam mais instabilidade, especialmente se forem atacados de forma agressiva, e há também uma penalização mais evidente quando se ultrapassam os limites da pista, com uma pequena perda de velocidade. O desgaste dos pneus é agora mais acentuado, o que exige uma gestão mais cuidadosa ao longo das voltas, especialmente em stints longos. A física está ligeiramente diferente em comparação com o ano passado, com sensações um pouco mais naturais e realistas, mas ainda se nota uma tendência no jogo para aqueles que jogam com um comando. Ainda assim, parece menos acentuado do que em F1 24, o que é um passo na direção certa.

F1 25 Official Reveal Trailer Ver no Youtube

Semelhanças com F1 24

Conduzir um carro de Fórmula 1 continua a ser uma experiência fantástica, a sensação de velocidade, o controlo nas curvas, a adrenalina de lutar por cada décimo, tudo isto continua presente em F1 25. Mas, se nos esquecermos do nome do jogo, é difícil não sentirmos que estamos a jogar F1 24, tal é a semelhança. As diferenças são tão subtis que levanta a questão de saber se é realmente necessário um novo lançamento todos os anos. Honestamente, acho que faria sentido que houvesse um intervalo maior entre os títulos. Não sei quais são os termos do contrato com a FIA, mas um modelo de jogo base com actualizações sazonais, ao estilo de outros jogos de desporto, parece-me uma solução mais lógica. Daria mais tempo para uma evolução mais acentuada e evitaria o sentimento de estagnação que F1 25 não consegue disfarçar.

Mesmo assim, F1 25 tem o seu valor, especialmente para aqueles que vivem intensamente este desporto, que seguem cada piloto e equipa ao pormenor, que vibram com as largadas, as ultrapassagens e todos os pequenos dramas que fazem parte da Fórmula 1. Para quem sente esta paixão, não se trata apenas de mais um lançamento anual, mas sim de uma forma de estar próximo da competição. Mas isso não invalida a importância da crítica construtiva. É legítimo esperar mais, querer sentir que o tempo investido e o dinheiro gasto em cada nova edição são compensados por melhorias concretas. O amor pelo desporto não deve servir de escudo para a estagnação, deve ser uma base sólida para os produtores perceberem que o público valoriza a necessidade de evolução, a autenticidade e, acima de tudo, o respeito pelo entusiasmo que traz os jogadores de volta ano após ano.

Tratamento visual

Tecnicamente falando, joguei numa PlayStation 5 Pro, e há uma melhoria visual. Com as consolas da geração anterior oficialmente deixadas para trás, a EA pode agora focar-se nas capacidades das máquinas mais poderosas, como a PS5, Series X e PC. Em termos de gráficos, o jogo tem duas opções: O modo Desempenho, que permite jogar a até 120 fps, e o modo Qualidade, definido para 60 fps. Ambos são bastante estáveis e consistentes, mas jogar a 120 fps é uma experiência visivelmente mais fluida, a suavidade visual faz realmente a diferença, especialmente em corridas intensas. Claro que o modo de desempenho sacrifica os detalhes gráficos, e isso é percetível, mas é um compromisso que vale a pena para aqueles que dão prioridade à fluidez. Globalmente, há um polimento gráfico visível, com modelos e circuitos mais definidos, mas sem grandes surpresas, é uma melhoria discreta mas sempre bem-vinda.

Conclusão

F1 25 está longe de ser um mau jogo. Continua a ser uma simulação sólida, apelativa e tecnicamente competente. Mas essa base já existia, e o que se sente aqui é mais um passo discreto. Quem vem de F1 24 provavelmente encontrará poucas novidades, a não ser que esteja completamente rendido ao universo da Fórmula 1 e queira tudo a que possa deitar a mão. É o dilema dos jogos de desporto: entre cumprir a obrigação anual e ir ao encontro do verdadeiro interesse dos jogadores, parece estar a meio caminho. E talvez seja altura de repensar o que queremos de um jogo de Fórmula 1, não apenas mais voltas no mesmo circuito, mas um salto que nos faça sentir que valeu mesmo a pena voltar ao cockpit.

Prós:Contras:
  • Ajustes subtis às físicas e ao comportamento dos carros
  • Regresso de Braking Point para quem gosta
  • Pequenas melhorias visuais
  • Se és um apaixonado pela Fórmula 1, não podes perder este jogo
  • Simulação sólida, mas estagnada
  • Visualmente, poderia dar um salto maior
  • Continua a ser muito orientado para aqueles que jogam com comandos