Death Stranding 2: On the Beach está disponível para a PlayStation 5 desde o passado dia 24 de junho, como o novo magnífico esforço de Hideo Kojima que, para muitos dos seus jogadores, vai facilmente encontrar um lugar entre os mais fortes candidatos a jogo de 2025. Como um jogo que evolui as mecânicas e conceitos do primeiro, Death Stranding 2 permanece um jogo sobre conexões e por isso mesmo é curioso que também seja uma ponte entre eras temporais com a sua edição de colecionador.

Os jogadores mais novos, que cresceram numa era especialmente digital, provavelmente nem o imaginam, ao longo de algumas gerações, foi comum ver lançamentos de alto perfil com edições de colecionador. Muitas delas eram compostas por itens absolutamente surreais, com especial foco em itens físicos e alguns extras para usar nos jogos. Atualmente, acontece o oposto, com maior foco nos itens digitais para usar no jogo, mas durante várias gerações o foco estava em itens físicos que apenas conseguias obter nestas edições.

Ao longo da geração PS4 e nesta geração PS5, o número de jogos com edições de colecionador diminuiu imenso, algo para o qual o forte aumento do formato digital certamente contribuiu de forma significativa, mas ainda continuam a surgir algumas, como em Death Stranding 2. Estamos longe da era de abundância de outras gerações, mas companhias como a PlayStation ainda tentam encontrar um meio termo nesta era tão digital, tão rendida ao acesso imediato aos jogos sem se preocuparem se adquirem um jogo ou uma licença.

Ao longo desta geração PS5, a PlayStation apresentou algumas edições de colecionador, mas a chegada de Death Stranding 2 aliada à crescente raridade destas iniciativas deixou-me a pensar nessa era dourada do colecionismo. Nem sequer falo desta era de edições de colecionador sem o jogo num disco físico, mas sim através de um código, falo da mera existência de edições que nos permitem levar mais além a paixão que sentimos por um novo lançamento.

Death Stranding 2: On the Beach - Collector's Edition Trailer | PS5 Games Ver no Youtube

Atualmente, a esmagadora maioria dos jogadores dá largas à sua expectativa por um jogo ao ver o relógio na PlayStation Store a contar quanto tempo falta até a licença digital ficar disponível, mas outrora contávamos os dias até ter diversos artigos físicos nas mãos, que nos ajudavam a aproximar-nos ainda mais dos jogos pelos quais tanto ficamos ansiosos de jogar. A edição de colecionador de Death Stranding 2: On the Beach fez-me recuar até esses tempos e sinto que apesar da sua simplicidade, é uma edição que exemplifica bem esses tempos e até a filosofia de Hideo Kojima.

Como padronizado ao longo destas duas últimas gerações, existe um forte foco em itens digitais para usar no jogo, muitos deles na forma de desbloqueio antecipado, para acompanhar a versão digital de Death Stranding 2, o que coloca praticamente todo o destaque nos artigos físicos. As cartas de arte são um pequeno extra para os maiores apaixonados por esta propriedade, enquanto a carta escrita por Hideo Kojima é uma adorável prenda para os seus maiores fãs, que querem sentir-se ainda mais próximos do mestre japonês.

No entanto, diria que é a figura de Dollman e a estátua de Homem-Magellan que realmente fazem a diferença. Na verdade, fazem mesmo pois são os principais artigos físicos que os maiores fãs de Hideo Kojima e do colecionismo vão desejar ter. Além da sua disponibilidade restrita a esta edição e de cumprirem com a tradição com o que se esperava destas edições nas gerações douradas para os amantes das versões físicas, são belos exemplares dessa tão saudosa era.

Isto porque relembram a era na qual as companhias apostavam em figuras ou estátuas de personagens desconhecidas do jogador, mas cuja importância ou significado para o jogo e os seus universos era tanta que as produtoras apostavam nelas para artigos físicos raros. O jogador sentia-se de tal forma interessado e empolgado com o jogo que comprava uma edição cara com uma estátua de uma personagem desconhecida pois já previa que eventualmente compreenderia o seu significado e sentiria validada a sua aposta.

Kojima não apostou numa figura de Fragile ou Sam, não jogou pelo seguro e criou algo que já conhecemos, apostou em Dollman e Homem-Magellan, duas figuras que acabaram por conquistar os fãs de Death Stranding 2 nos trailers, cada uma à sua maneira, mas sem o impacto de outros nomes deste universo. Neste momento, ainda não joguei Death Stranding 2, não vi sequer Dollman ou Homem-Magellan, mas confio em Kojima para esperar que quando eventualmente jogar e acabar Death Stranding 2 vou sentir um enorme agrado por ter estas duas figuras na coleção.

Death Stranding 2: On the Beach na PS5 Pro Modo Desempenho Ver no Youtube

É este tipo de sentimento que se tornou raro atualmente, mas que a dada altura abundava e até era comum. A época de ouro do colecionismo nos videojogos, que hoje em dia está ameaçada por tamanho foco no formato digital. A PlayStation já o fez em raros momentos, com jogos como Horizon Forbbiden West e God of War: Ragnarok, por exemplo, e voltou a fazê-lo com Death Stranding 2, com edições de colecionador sem o jogo físico, mas com uma figura ou estátua que fica espetacular na nossa coleção.

Com Death Stranding 2, Kojima foi mais além, digo eu, ao apostar em figuras desconhecidas para os artigos físicos, algo tão raro hoje em dia, mas que representa bem essas gerações passadas. Desta forma, sinto que a Edição de Colecionador de Death Stranding 2 é uma ponte entre o passado, a era de ouro do colecionismo nos videojogos, com o presente, tão focado no digital, com misteriosas figuras físicas que eventualmente vão encontrar espaço no nosso coração e atrair a nossa atenção na prateleira.

Como referido, a PlayStation não é a única companhia a fazer isto, existem outras mais, mas são cada vez menos. A Capcom continua a fazê-lo para os jogos Resident Evil, com estátuas e os jogos num disco, enquanto a PlayStation optou por versões digitais que incomodam os maiores colecionadores. No entanto, apesar deste elemento tão decisivo certamente dividir opiniões, a verdade é que estes raros momentos devem ser celebrados.