Dying Light The Beast traz de volta Kyle Crane, agora com ADN humano e zombie, para explorar uma nova região. Mantém os elementos que marcaram a série, parkour, combate intenso e exploração, e adiciona o Beast Mode e mutações. O resultado é um jogo divertido e cheio de adrenalina, perfeito para os fãs, ainda que não apresente grandes surpresas.

Dying Light The Beast já chegou há algum tempo, e para quem acompanha a série desde o primeiro jogo, é como regressar a casa. A Techland fez-nos correr pelas ruas de Harran, saltar por cima de telhados, fugir de zombies e lutar pela sobrevivência, e agora traz-nos mais do mesmo, com algumas novidades que acrescentam um toque fresco sem alterar a essência. Jogar este título é quase como rever velhos amigos e relembrar os momentos mais intensos da série, ao mesmo tempo que nos preparamos para voltar ao caos, mas com alguns novos trunfos na manga.

Quando comecei a jogar, percebi logo que não havia tempo a perder. O jogo atira-nos diretamente para a ação, sem longas introduções ou tutoriais que tentam testar a nossa paciência. É tudo muito direto, quase como se a Techland estivesse a dizer: ”Já sabes para o que vieste, agora diverte-te". Para mim foi como reencontrar um velho amigo, um regresso imediato ao espírito do primeiro jogo e do seu DLC, com aquela sensação de familiaridade que nos deixa imediatamente à vontade. Há até uma breve retrospectiva, uma espécie de ponte criada a pensar nos veteranos da série, que serve tanto para refrescar a memória como para dar aquele toque de continuidade. E isso deu-me imediatamente a sensação de estar em casa, prestes a mergulhar de novo no caos dos zombies e da sobrevivência.

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Ritmo e Familiaridade da História

O protagonista é mais uma vez atirado para o meio do caos e, embora tudo pareça familiar, há uma certa adrenalina no ritmo acelerado com que tudo acontece. É como se não houvesse tempo para respirar, e isso mantém-nos colados ao comando. Mas não posso deixar de sentir que não corre grandes riscos. A Techland parece ter preferido jogar pelo seguro, trazer de volta o que já funcionou no passado sem procurar redefinir o género ou introduzir quaisquer mudanças verdadeiramente ousadas. Para aqueles que gostaram do original, isto pode soar quase como uma carta de amor, um tributo direto ao que tornou a série especial. Mas para aqueles que, como eu, esperavam um salto maior, uma dose de audácia, há a sensação de que voltámos atrás no tempo, revivendo algo bom, sim, mas que já conhecemos demasiado bem.

Em Dying Light The Beast voltamos a vestir a pele de Kyle Crane, mas ele não é o mesmo herói que conhecíamos antes. Depois de vários anos sujeito a experiências cruéis, o que resta é alguém marcado por cicatrizes profundas, tanto no seu corpo como na sua mente. Há um sentimento constante de dualidade: já não somos apenas humanos, mas também algo mais, com ADN zombie a correr nas nossas veias. Esta luta interna contra a besta que vive dentro de nós acompanha cada passo da viagem e dá um peso diferente às nossas decisões. É neste estado dividido que entramos em Castor Woods, um vale que já foi um paraíso turístico e que agora não passa de um pesadelo infestado de mortos-vivos.

Mecânicas Clássicas e Novidade das Mutações

Os mecanismos de jogo continuam a ser os mesmos de sempre: desbloquear zonas seguras, explorar todos os cantos do mapa, fabricar armas, repará-las, modificá-las... nada que me surpreenda realmente, porque era exatamente o que eu esperava encontrar. Há um certo conforto nesta familiaridade, mas também uma sensação de déjà vu permanente. A grande exceção são as mutações do protagonista, que ganhamos ao derrotar inimigos específicos e ao injectarmo-nos com o seu ADN. Esta mecânica acrescenta um novo sabor ao combate, permitindo-nos enfrentar certas situações de risco de forma diferente, quase como se Kyle estivesse sempre no limite entre o humano e a besta. É uma ideia intrigante e que até faz disparar a adrenalina.

Beast Mode: Poder e Desequilíbrio

O Beast Mode merece uma referência especial porque tornou-se rapidamente numa daquelas ferramentas que muda completamente a forma como olhamos para o combate. Quando ativado, as batalhas que antes pareciam quase impossíveis tornam-se explosões cheias de adrenalina, onde a sensação de invencibilidade toma conta de nós. De repente, deixamos de ser apenas Kyle Crane e passamos a ser a besta que nos rói por dentro, capaz de eliminar os inimigos em segundos. É certo que em muitos momentos este poder acaba por suavizar demasiado a dificuldade e retirar algum do peso estratégico dos combates. Mesmo assim não posso negar o impacto que tem: sempre que entrava nesse estado o jogo assumia um ritmo visceral, com vontade de o usar vezes sem conta.

Usei e abusei o Beast Mode. Basicamente, quando se mata zombies ou inimigos humanos, este estado é carregado e mais tarde pode ser ativado sempre que se quiser. Na prática, é uma grande ajuda para certas situações. Por exemplo, quando me preparava para enfrentar um inimigo poderoso ou um grupo de bandidos com armas de fogo, tudo o que tinha de fazer era matar alguns zombies noutro ponto do mapa, carregar o Beast Mode e entrar em combate com essa vantagem preparada. Para mim isto pareceu-me estúpido e até destruiu a lógica de muitos confrontos, tornando algumas lutas muito menos exigentes do que deveriam ser.

Segurança Artificial e Penalizações

Mas ainda há mais desequilíbrios, como a sensação de “segurança artificial”. Morrer em combate seria normalmente muito punitivo, mas aqui podemos escapar a situações perigosas com apenas uma ligeira penalização em XP. À primeira vista parece útil, mas torna-se também um pouco absurdo, porque acabamos muitas vezes por reaparecer em zonas seguras. Especialmente à noite, quando o medo está no auge e temos de nos movimentar com extrema cautela, saber que quando morremos reapareceremos numa zona protegida reduz a tensão e elimina parte do desafio: situações que deveriam ser arriscadas tornam-se facilmente evitáveis, sem consequências reais.

Outro ponto que me deixou frustrado foram os veículos. Senti falta da qualidade que tínhamos em Dying Light: The Following. Aqui, parecem quase uma ideia secundária, desnecessários em muitos momentos e com grandes limitações. Nota-se que o mapa não foi desenhado para o uso excessivo de veículos, está cheio de áreas fechadas e obstáculos que dificultam muito a sua passagem, com uma condução pouco divertida e nada útil.

Dying Light: The Beast — Launch Trailer Ver no Youtube

Exploração e Progressão

Quanto à exploração, Dying Light The Beast é generoso. Cada canto do mapa tem algo para descobrir: missões, segredos escondidos, loot abundante e muitas oportunidades para criar ou melhorar equipamento. É quase como um parque de diversões feito à medida de quem gosta deste tipo de progressão, com cada descoberta a trazer uma pequena recompensa que dá vontade de continuar a explorar. Em comparação com Dying Light 2, tudo aqui parece mais simples, mais direto, quase como um regresso às origens. Há uma familiaridade que conforta, e acredito que este tipo de tratamento vai agradar especialmente aos fãs de longa data, que gostam deste mundo caótico, da adrenalina e dos seus zombies, sem complicações desnecessárias.

Gráficos e Desempenho

Visualmente, não é um jogo que te deslumbre. Os gráficos são adequados mas antiquados, e é improvável que sejam elogiados. A vantagem é que o desempenho beneficia com esta escolha: tudo corre bem e sem grandes problemas técnicos, o que garante que a diversão não é interrompida por falhas graves. É suficientemente bonito para manter a imersão, mesmo que não esteja ao nível dos grandes lançamentos actuais.

Conclusão: Mais do Mesmo, Mas Divertido

No final de contas, Dying Light The Beast cumpre exatamente o que promete: não tenta reinventar nem surpreender com novas ideias, mas sim dar mais do que fez o original ser tão divertido. É consistente, mantém o ritmo e respeita quem já conhece a série. Para os fãs do primeiro jogo, é um regresso seguro e cheio de ação, com todos os elementos que já adorávamos, desde parkour até ao combate contra zombies e humanos.

Em contrapartida, se procuras uma mudança radical ou uma reinvenção do género, podes sentir que o jogo fica aquém. Algumas mecânicas, como o modo Beast, acabam tornando certas situações muito fáceis, e a história não traz grandes surpresas. Apesar de tudo, quem quiser mergulhar de novo no caos de Harran e desfrutar mais da fórmula da Techland, Dying Light The Beast cumpre: ação intensa, exploração divertida e aquela adrenalina clássica que faz parte da série.

Prós:Contras:
  • Ação direta e imediata, sem longas introduções ou tutoriais
  • Mecânicas clássicas de exploração, crafting e combate bem executadas
  • Recupera o espírito do primeiro jogo
  • Exploração generosa: missões, segredos e loot em abundância
  • Desempenho estável e fluído, sem grandes problemas técnicos
  • Modo Beast pode desequilibrar o jogo, tornando confrontos demasiado fáceis
  • Narrativa segura, mas pouco ousada e previsível
  • Veículos pouco úteis, limitados pelo design do mapa
  • Gráficos datados, sem grandes surpresas visuais
  • Falta de inovação: é mais uma expansão da fórmula do original