A Nintendo Switch 2 chegou às lojas, como uma evolução do conceito híbrido que revolucionou a indústria em 2017. Mais poderosa, com novas funcionalidades e com imensos méritos, a Nintendo Switch 2 mostra a Nintendo a navegar por um dos momentos mais exigentes da sua história, no qual enfrentou a enorme responsabilidade de criar uma sucessora para uma das mais bem sucedidas consolas de sempre.

Após gerações diferenciadas por novos conceitos como controlos por movimento ou segundos ecrãs, a Nintendo Switch 2 mostra a companhia japonesa num tom de continuidade. No entanto, a fórmula da primeira Switch é de tal forma bem-sucedida que era precisamente isto que se pedia da nova consola. Mesmo com pequenos detalhes que podem ser melhorados, considero que a Nintendo Switch 2 está muito melhor posicionada no arranque do que a primeira consola.

Em março de 2017, posso dizer que comprei uma Nintendo Switch simplesmente porque era a consola onde podia jogar os jogos da Nintendo, sem jamais imaginar o quão rendido ia ficar ao conceito híbrido, pois diversos detalhes deixaram a encorrilhar o nariz. O ecrã era pequeno, o armazenamento interno escasso, a base não incluía porta ethernet, e as capacidades do hardware deixavam imenso a desejar, o que resultou na previsível ausência de jogos ambiciosos.

A Nintendo Switch 2 chega com todos esses “problemas” resolvidos, o que pessoalmente a torna num dispositivo muito mais competente do que a primeira Switch no seu respectivo lançamento, com os Joy-Cons 2 a permitir novas formas de jogar, novo centro social que finalmente transporta a Nintendo para 2025 nesse requisito social, muito mais poderosa e compatível com tecnologias como DLSS (uso de inteligência artificial para melhorar a imagem sem prejudicar o desempenho) para se posicionar como um dispositivo híbrido capaz de satisfazer uma ampla audiência de jogadores.

No seu lançamento, a Nintendo Switch 2 poderá despertar queixas devido ao “recuo” de ecrã OLED para LCD, espaço de armazenamento e duração da bateria, mas tal como está, já é uma das melhores consolas de sempre da Nintendo e pessoalmente considero que entrei numa das mais empolgantes gerações de qualquer consola que já tive a oportunidade de jogar. De diversas formas, a Switch 2 é tudo o que queria em 2017 e provavelmente estou agora a sentir o entusiasmo e encanto que muitos sentiram com a primeira.

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Ainda melhor em formato portátil

Ao contrário do que aconteceu com a Nintendo Switch, que chegou em 2017 e revolucionou por completo a indústria dos videojogos com o seu formato híbrido, ao longo destes oito anos diversas companhias já apresentaram dispositivos similares para tentar conquistar audiência claramente rendida à possibilidade de jogar blockbusters fora da TV. No entanto, a Nintendo mostra novamente com a Switch 2 que por mais elogios que receba com as tentativas de imitar o seu trabalho, ninguém consegue fazer isto à sua altura.

A filosofia de familiaridade permanece, a Switch 2 parece literalmente uma versão maior da primeira Switch, mas é da mesma espessura e o seu peso aumentou apenas 81 gramas. Isto é uma forma de dizer que continua leve. O grande destaque na Nintendo Switch 2 é realmente o novo e enorme ecrã LCD que a Nintendo colocou na sua nova consola.

Uma das minhas principais queixas à Nintendo Switch foi o pequeno ecrã, algo melhorado na OLED, mas agora com o tamanho de 7.9 polegadas na Nintendo Switch 2, fica muito mais impressionante. A internet avisa-te que não podes gostar do ecrã, porque é LCD. Se gostares de alguma coisa na era do ódio, és um vendido ou então, na melhor das hipóteses, um ignorante, na pior das possibilidades a tua mãe pode ser chamada para o assunto.

Talvez tenha sido precisamente essa tão intensa crítica ao ecrã LCD que tenha resultado no efeito oposto, pois dou por mim totalmente satisfeito com o novo ecrã e jamais o descreveria como um “entrave”. Desde 2021, jogo numa Switch OLED e esperava encontrar um resultado deplorável na nova consola, tal como a internet me mandou pensar, mas talvez por esperar um desastre, fiquei mais do que satisfeito.

Ao longo de uma semana a jogar na Nintendo Switch 2, passei a maioria do tempo com a consola na base, mas quando pego nela para jogar em modo portátil, dou por mim satisfeito com a qualidade deste LCD. Um futuro ecrã OLED numa revisão da consola, que provavelmente significaria uma despesa muito maior no lançamento, muito provavelmente terá ainda melhor qualidade e cores, mas se sentia receios que pudesse revelar-se num elemento negativo, isso não acontece.

Os argumentos de um ecrã capaz de correr jogos com HDR é algo diferente, especialmente porque nem todos os jogos apresentam HDR verdadeira ou implementada de forma nativa. Nesta curta experiência com a Nintendo Switch 2, não fiquei propriamente convencido com a HDR, especialmente porque jogos como Mario Kart World não são propriamente bons advogados disso, deixando até a sensação de má implementação HDR ou HDR não nativa.

Apesar disso, jogar títulos como Cyberpunk 2077, Split Fiction ou Mario Kart World no novo ecrã tem sido uma autêntica alegria, com um entusiasmo muito superior ao que senti em 2017 com a primeira Switch.

Uma base mais poderosa

Para quem utilizou a Nintendo Switch mais de 90% em modo portátil, por sentir grandes dificuldades em lidar com a qualidade técnica de muitos jogos em modo base, tem sido uma fantástica surpresa sentir que seja na base ou portátil, a Nintendo Switch 2 preenche as minhas medidas. A consola é muito mais poderosa, consegue correr jogos ambiciosos com boa qualidade numa TV 4K e a sua base em si revela refinamentos muito bem-vindos.

Quando a primeira Nintendo Switch saiu, diversos elementos deixaram-me a sentir que era preciso rapidamente uma segunda versão para os melhorar, mas com a Nintendo Switch 2 sinto que é um produto muito mais robusto desde o primeiro dia.

A consola mais poderosa significa jogos third-party mais ambiciosos, a Nintendo expandir conceitos e designs, loadings mais rápidos, desempenhos muito superiores, e gráficos ainda mais espetaculares, capazes de surpreender muito mais quando jogados em modo portátil. No entanto, a base mostra um design refinado, claramente criado a partir de imenso feedback da comunidade.

As portas estão melhor posicionadas, tens agora uma porta Ethernet nativa para downloads muito mais rápidos em casa, e apesar de chegar envolta na mesma elevada familiaridade, é realmente uma segunda versão de um produto anterior, claramente melhorada e aprimorada.

A modernização da Nintendo em termos de tecnologia é perceptível ao ver que a consola já recebeu ambiciosos jogos como Cyberpunk 2077 e Split Fiction que estão fora do alcance da primeira Nintendo Switch, com boa qualidade. Mais do que isso, já está posicionada para um futuro mais risonho. O uso de tecnologias como DLSS para melhorar a imagem sem comprometer o desempenho é uma amostra disso. Mesmo que estes dois jogos estejam comprometidos quando são comparados para sistemas mais potentes, é fácil ficar convencido por estas experiências.

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GameChat

Frequentemente criticada por andar atrás das tendências tecnológicas, a Nintendo demonstrou isso ao não inclui um centro social nativo na Nintendo Switch, pelo menos uma forma de comunicar diretamente na própria consola. No entanto, à semelhança das especificações e tecnologia na consola em si, a Nintendo Switch 2 mostra a Nintendo a atualizar-se em termos sociais, com a chegada do GameChat.

De uma forma resumida, o GameChat é a interpretação da Nintendo para um centro social, nativo na consola e que não exige um dispositivo adicional para a sua utilização. O mais curioso no GameChat é que foi concebido com a mesma postura universal a tudo o que a Nintendo faz, é algo pensado para suscitar sorrisos na face de jogadores de todas as idades. Mais do que ser funcional, é para divertir.

Sim, o GameChat é um centro no qual podes comunicar com vários amigos, mostrar a tua jogabilidade e conversa com o uso do microfone incluído na consola, mas para o bem e para o mal, é uma forma muito Nintendo de apresentar um centro social. Para quem está noutras plataformas, não existe aqui real novidade, mas a Nintendo tem uma abordagem interessante que facilmente vai conquistar os jogadores e tornar-se numa parte natural da interação Nintendo Switch 2 de muitos utilizadores.

O GameChat cumpre o seu propósito de unir os jogadores Nintendo Switch 2 com amigos e família sem tirar os olhos da consola em si, uma ferramenta de comunicação que já se tornou esperada nas consolas modernas, mas que ainda assim não existia na primeira Switch. No entanto, precisa de algumas melhorias para facilitar o matchmaking entre amigos, que a partir do GameChat desejam iniciar partidas online nos seus jogos favoritos.

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Os novos Joy-Con e os controlos por rato

A aposta numa linha de continuidade, algo que diferencia a Nintendo após vincadas transições entre gerações (com novos métodos de controlo, por exemplo), a Nintendo Switch 2 é um “best of” da Nintendo, na qual a companhia exibe toda a sua metodologia irreverente e tão energética, associada ao honrar do seu legado tanto como produtora de consolas como de jogos e interfaces. Apesar disso, se olhar para uma Nintendo Switch 2 é ver de imediato a aposta na familiaridade, o mesmo também se sente quando a ligamos.

A interface principal, menus, e a maioria das funcionalidades são familiares para qualquer jogador com uma Nintendo Switch, no entanto, isto também significa que nada foi deixado para trás. Pelo contrário, o desejo por algo reconhecível e familiar não impediu a Nintendo de introduzir novidades, como o já referido GameChat e os controlos por rato, que apesar de soarem como algo banal, prometem transformar muitos videojogos. Após jogar a demo de Metroid Prime 4, foi essa a sensação predominante.

Num delicado equilíbrio entre preservar a identidade e honrar o legado com o alcançar de novidades sem comprometer a tão pedida familiaridade (nos últimos anos os maiores pedidos reincidiram literalmente sobre uma Nintendo Switch 2), a Nintendo expande a jogabilidade com a câmara, algo que é opcional, e com os controlos por rato.

Existem já vários exemplos que tiram proveito dos controlos por movimento, alguns que tiram proveito da câmara, muitos mais estão a caminho, tal como já existem jogos que mostram o potencial do uso dos Joy-Con 2 como rato para expandir o tipo de jogos que vais jogar na Nintendo Switch 2. Nada ficou para trás, por isso a nova consola da Nintendo (que também inclui controlos por toque no ecrã) é uma das mais completas e diversificadas plataformas em termos de métodos de controlo, e como já referi, após jogar Metroid Prime 4 com controlos por rato, já não me imagino a jogar de outra forma.

Mais do que isso, é mais do que um mero adereço para tentar substituir a ausência da tal falada "gimmick", que a Nintendo introduziu a cada geração, é mesmo uma forma de expandir horizontes, pois dou por mim a finalmente querer jogar de estratégia, como Nobunaga’s Ambition, numa consola

A vibração HD está de volta, a capacidade de usar os Joy-Con como um comando tradicional também, tal como a funcionalidade de os usar como dois comandos para jogar com elevada facilidade o jogo com outra pessoa, a Nintendo mantém tudo o que ajudou a sua consola anterior a diferenciar-se e transformar a vida de gaming para muitos.

Outro precioso detalhe que revela o engenho da Nintendo, que de forma alguma abdica da sua filosofia, são os novos conectores magnéticos. Por um lado, tens a companhia a mostrar algo diferente que, como argumento de venda, ajuda a demonstrar novidade, mesmo que seja relativamente simples, mas bem ao estilo de uma companhia que serve jogadores de várias idades, consegue ser muito mais satisfatório do que muitos imaginam.

Quem tem filhos ou parceiros menos habituados ao mundo da tecnologia, está a par de algumas inconveniências na primeira versão desse conceito de separar os Joy-Con da consola, por mais genial que seja essa realidade que a Nintendo nos trouxe. Foram frequentes os momentos em que uma criança tentava de forma desajeitada encaixar os Joy-Cons nos carris ou tirá-los. Os conectores magnéticos mudam isso por completo e além de uma sensação de estilo ainda maior, são um sistema melhorado.

Os novos encaixes magnéticos são robustos, criam pressão para segurar os Joy-Cons 2 na consola, e uma criança terá algumas dificuldades em conseguir removê-los, o que exige a presença de um adulto para ajudar, mas consegue colocá-los com facilidade e segurança. São pequenos detalhes que mostram a Nintendo a pensar num amplo público.

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A bateria e o armazenamento

Um dos pontos mais importantes na hora de personalizar a justificação de comprar uma consola como a Nintendo Switch 2, é pensar nos teus hábitos como jogador. Os jogos são o elemento mais importante, obviamente, mas quando temos poder suficiente para jogos como Madden, NBA 2K, Cyberpunk 2077, Street Fighter e outros, a audiência já não está restrita ao tal estigma de “consola para jogos Nintendo”. A Switch 2 consegue ser muito mais do que isso, apesar desse ser o seu atrativo mais delicioso.

Apesar disso, considero que existem dois pontos que realmente merecem uma análise mais profunda do jogador na hora de decidir se vai ou quando vai adquirir uma Nintendo Switch 2, a bateria e o armazenamento, algo que mais do que tudo neste hardware e experiência terá um impacto e relevância muito personalizados.

A Nintendo Switch 2 chega com 256GB de armazenamento interno, um aumento colossal comparado com os 64GB da Switch OLED ou os 32GB da primeira versão da Switch. No entanto, este valor não é assim tão grande quando pensas que a maioria dos blockbusters ocupam uma grande quantidade de espaço, com a maioria das editoras a optar por Game Key Cards nas versões físicas (cartuchos que na verdade são chaves de ativação para descarregar a versão digital, mas que podes na mesma emprestar ou vender), podes rapidamente alcançar os limites.

Cyberpunk 2077 ocupa perto de 60GB, Split Fiction cerca de 75GB, Street Fighter 6 perto de 50GB, Yakuza Zero: Director’s Cut mais de 45GB, e Hitman perto de 60GB, entre outros exemplos. Dificilmente alguém vai comprar todos os jogos de lançamento, mas mesmo futuros lançamentos de alto perfil de parceiras ocupam espaço considerável. Tony Hawk’s Pro Skater 2+3 ocupa perto de 40GB, Wilds Hearts S perto de 34GB, Madden NFL 24 perto de 62GB, por isso, podes ser rapidamente forçado a gerir o espaço ou a aumentar o mesmo.

Os títulos da Nintendo ocupam menos espaço, Mario Kart World ocupa perto de 22GB, Zelda: Breath of the Wild Nintendo Switch 2 Edition ocupa 24GB, Zelda: Tears of the Kingdom Nintendo Switch 2 Edition ocupa 20GB, e jogos como Pokémon Legends Z-A ou Donkey Kong Bananza estão listados como jogos de 10GB. Tudo depende dos jogos nos quais vais apostar, mas se desejas alguns dos mais ambiciosos third-party que acabaram de chegar à Nintendo, poderás preencher rapidamente o espaço e ser forçado a comprar um cartão Express MicroSD.

É a mesma coisa para a bateria, cuja duração média ronda as 3 horas por sessão, mas pode variar com jogos menos exigentes. Para quem joga especialmente com a consola na base, isto não é problema, nem sequer para quem vai usar uma Nintendo Switch 2 como uma portátil dentro de casa, mas quem viaja muito e deseja levá-la para fora de casa, é algo que poderá ter maior impacto.

Um pouco mais de bateria pode fazer uma grande diferença, algo que se sentiu ao transitar da Switch para a Switch OLED, por isso era esperado uma duração similar à deste modelo, mas está um pouco mais abaixo.

Pokémon Scarlet na Nintendo SWITCH 2 Jogos Switch 1 como Pokémon Scarlet e Violet exibem grandes melhorias na resolução, gráficos e desempenho ao jogar na Switch 2Ver no Youtube

Conclusão

A Nintendo Switch 2 está muito próxima daquilo que muitos dos fãs pediam, provavelmente a maioria, uma continuidade que aprimora um formato que transformou quase por completo a forma como consumimos muito deste entretenimento e arte. Considero que a Nintendo Switch 2 chega como uma consola muito mais robusta e interessante do que a Nintendo Switch no seu lançamento, com imensas melhorias.

O ecrã LCD e a bateria são provavelmente os pontos mais contenciosos, mas jogar na consola ao longo de uma semana confirmou a sensação que tive no evento pré-lançamento, não sinto falta do ecrã OLED da minha Switch. Além disso, sinto que posso finalmente jogar numa TV 4K e dou por mim a passar mais tempo dessa forma do que imaginaria, uma vez que o poder da consola já o permite. Talvez seja por isso que quando ando com ela na mão fique sempre a pensar que o ecrã tem uma qualidade superior ao que seria de esperar de um LCD.

Ao contrário da PlayStation e da Xbox, a Nintendo não deixou para trás ou negligenciou as suas mais adoradas propriedades, continuam vivas, altamente ativas e com um nível de qualidade que desperta imensos elogios a cada novo lançamento. Com isto, quero dizer que comprar uma Nintendo Switch 2 significa transitar para uma nova geração do mesmo empolgante conceito híbrido, agora com poder suficiente para merecer uma TV 4K quando jogas na base, que continua espetacular em modo portátil e a simplificar a vida de muitos pais, onde podes jogar os títulos da Nintendo que continuam muito próprios e divertidos.