Um dos melhores jogos relacionados com a Marvel Comics que já jogamos. É uma homenagem aos clássicos beat'em ups da década de ouro do género, mas com elementos modernos que o tornam muito mais divertido de jogar do que já sabias que seria.

Marvel Cosmic Invasion é o mais recente jogo da Tribute Games, que três anos após conquistar o mundo com Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder's Revenge, apresenta um novo beat'em up no qual alcança tudo o que lhe trouxe tantos elogios no jogo das Tartarugas. A estética pixel art, a banda sonora de Tee Lopes, carismáticos super-heróis da Marvel Comics (incluindo alguns menos conhecidos) e uma jogabilidade simples, mas divertida, voltam a figurar como trunfos.

Este projeto mostra que a produtora do Canadá entende na perfeição a sua missão: criar jogos à semelhança de clássicos da era de 90, mas com o refinamento nos controlos e funcionalidades que surgiram ao longo das décadas. Por um lado, quase te engana e faz pensar que é um jogo com mais de 20 anos, mas pelo outro, evidencia elementos atuais. Além disso, inclui novidades como um modo História com cutscenes, diferente do modo Arcade, mais direto e igual aos clássicos.

Clássico com sabor a fresco

Como é desejado, Marvel Cosmic Invasion não inventa a roda em termos de jogabilidade, é uma homenagem muito direta aos clássicos de outrora, mas isso não impediu a Tribute de jogar pelo seguro e apenas imitar. A produtora decidiu adicionar um toque extra à experiência de jogo que torna tudo ainda mais dinâmico e, digo eu, muito mais divertido de jogar quando estás acompanhado. Seja em modo local para 4 jogadores ou online, é simplesmente muito mais divertido jogar Marvel Cosmic Invasion com outras pessoas.

Enquanto beat’ em up de deslocação lateral pixel art com personagens Marvel Comics, Cosmic Invasion é muito simples e a experiência arcada fácil de jogar, mas com alguma profundidade, é precisamente o que todos desejam. No entanto, a Tribute refresca as coisas ao introduzir mecânicas adicionais que moldam a experiência de jogo pois nem todos os heróis se “comportam” da mesma forma e existem especificidades relacionadas com os seus atributos no universo da Marvel.

Alguns personagens voam, os mais fortes e físicos defendem-se dos ataques (o que os deixa fixos na posição de defesa), enquanto outros se desviam e forçam um bom timing nessa mecânica, todos têm um ataque próprio relacionado com os seus poderes ou atributos, podes usar um ataque especial, e até podes executar ataques em dupla pois escolhes dois heróis quando começas o modo. Isto significa que se jogarem 4 pessoas, estarão em ação 4 heróis e a qualquer momento podem trocar para o segundo herói escolhido, num total de 8 heróis envolvidos na ação.

Escolher dois heróis para alternar entre eles à vontade e executar golpes em dupla é algo diferente e interessante, mas é a profundidade alcançada com a diferenciação de heróis que realmente brilha em Marvel Cosmic Invasion. A She-Hulk é forte e lenta, sendo necessário proteger frequentemente, enquanto Wolverine é rápido e agressivo, capaz de percorrer rapidamente os cenários a fatiar tudo pelo caminho. No entanto, Wolverine não se protege, efetua uma esquiva, por isso tens de cronometrar bem o movimento e aprender a usar as mais valias. Isto são apenas dois exemplos no elenco de Marvel Cosmic Invasion, diferenciado ainda pela capacidade de voar e pelo quão rápido se movimentam pelos cenários.

Isto significa que dentro de uma experiência relativamente simples e que muitos podem encarar como básica, existe profundidade capaz de nos ajudar a encontrar personagens favoritos através da jogabilidade, não apenas pelo que gostamos das páginas das BDs ou filmes. O elenco de 15 personagens inclui imensos nomes famosos como o Capitão, Homem-Aranha, Homem de Ferro e Wolverine, mas também inclui outros nomes menos populares como Beta Ray Bill e Phyla-Vell. Apesar de gostar do elenco, sinto que é muito fácil encontrar ausências de relevo, mas para preencher todos os pedidos, a Tribute provavelmente precisaria de mais de 200 personagens.

MARVEL Cosmic Invasion | Release Date Trailer Ver no Youtube

Modo história em tom de RPG

Com esta jogabilidade arcada e simples, mas inesperadamente muito mais profunda do que esperaria, a Tribute faz de Marvel Cosmic Invasion muito mais do que um “Shredder’s Revenge com skin Marvel”, faz desta experiência uma evolução do seu trabalho. Isso também é perceptível nos modos de jogo pois além do Arcade, tens um modo história com toques de RPG.

O Arcade é o tradicional modo no qual segues a história do jogo de forma básica e sem muitas explicações, seguindo de nível em nível até derrotar Annihilus, que deu início a esta invasão cósmica. No entanto, esta jornada por vários locais conhecidos da Marvel Comics, com imensos easter eggs escondidos pelo meio, cresce com o modo história, onde tens cutscenes antes de cada nível, a narrativa expandida, tens mais níveis para jogar e muitos mais bosses para enfrentar.

Podes desbloquear mais personagens, modificadores arcada, cores e extras em qualquer um dos modos, mas é no modo história que vês todos os acontecimentos. No entanto, ao contrário do Arcade, aqui não podes continuar se perderes antes de terminar o nível, tens de o recomeçar. Em troca, os heróis que usam ganham XP e sobem de nível, o que melhora os seus atributos e te permitem desfrutar de maior probabilidade de vencer o boss. Pelo caminho, descobres qual o herói mais apropriado para esse boss ou nível.

Conclusão

Fãs dos beat'em up clássicos já sabem o que esperar da Dotemu após o que fez como produtora em Streets of Rage 4 ou como editora/parceira de produção em Ninja Gaiden: Ragebound, enquanto a Tribute é admirada principalmente pelo seu trabalho em Shredder's Revenge. Marvel Cosmic Invasion é simplesmente o confirmar do pedigree de quem está envolvido nesta produção. Não é mais do que esperavas, é precisamente o que esperavas, um divertidíssimo beat'em up Marvel Comics que vai além da montra num tom digno dos clássicos.

Prós:Contras:
  • Estética pixel art
  • Modo Story é uma espécie de RPG
  • Elenco inclui nomes mais obscuros da Marvel Comics
  • Banda sonora
  • Jogabilidade clássica com novas funcionalidades
  • O elenco de 15 personagens sabe a pouco
  • Jogado a solo perde grande parte do carisma